É definitivo: não existe isso de cachorro-quente com pure de batatas. Ponto. E nada de ervilhas, milho. 

Ainda há controvérsia quanto à mostarda, mas catchup é obrigatório.

Não sei se os da Geneal levavam (alerta-de-momento-datado-só-para-poucos).  Havia sachê de catchup naquele tempo?

 

Por que ninguém respeita o direito de alguém não gostar de carnaval? O ser é visto como se fosse um doente. E começa a baixar nos foliões o mesmo espírito persuasivo que mãe de amigo tem ao insistir para a gente provar, sei lá, uma rabada ou outro prato exótico do gênero. “Nem um pouquinho? Ah, vai, só um pouco! A dobradinha que eu faço é diferente; tenho certeza que você vai adorar”, ela diz, enquanto vc olha, horrorizado, coisas estranhas boiando numa gordura.

“Ah, mas o bloco tal é especial, diferente, vamos? Tenho certeza que você vai adorar”. E tome-lhe nome de bloco metido a engraçadinho (“Vai tomar no Grajaú”… “Vem ni mim que eu sou facinha” … “Me beija que sou cineasta”…) Parece aquela leva de bandas dos anos 80 que obrigatoriamente tinha que ter nomes gaiatos (“Titãns do iê iê iê” … “João Penca e seus miquinhos amestrados” … “Kid Abelha e os Abóboras Selvagens” …).

E o Rio, que costumava ser o paraíso enquanto a horda de bárbaros estava passando o Carnaval na região do Lagos, agora fica insuportável.  Adeus praias vazias, ruas vazias, tranquilidade.  Já não é possível sair sem um mínimo planejamento para não ficar preso, em pleno feriadão, num tremendo engarrafamento provocado pela passagem de um animado bloco.

 

Duas coisas funcionam no Brasil melhor do que na Suécia: Receita Federal e Eleições.

Já repararou como a cada ano o programa do Imposto de Renda está melhor? Tudo informatizado, rápido, sem papel. Isso sem falar nos funcionários bem pagos, os prédios arrumados. Comparem com outras repartições públicas que vocês conhecem e vejam a diferença.

E as eleições? Milhões de pessoas se deslocando pra votar em um único dia! Máquinas de votação eletrônicas distribuídas nos mais distante igarapés amazônicos, resultados em poucas horas. Tudo hipereficiente, organizado. E isso porque boa parte do pessoal nem recebe pagamento por isso! Acho que o único dia no ano em que as escolas públicas funcionam é no dia em que funcionam como postos eleitorais.

Impressionante né? Já pensou porque só essas duas coisas funcionam?

 

Carnaval é uma coisa que sabemos fazer bem. Nunca deixa de me impressionar como 3 mil integrantes de uma escola de samba, a maioria nunca tendo ido a um ensaio sequer, conseguem desfilar certinho, dentro do tempo, com as fantasias impecáveis, “sambando”* e rindo. E os megablocos de Salvador, que contam até com banheiros anexados aos trios elétricos? Mesmo o carnaval de rua do Rio, ressurgido das cinzas, mostra uma tranquilidade (com milhões de pessoas nas ruas, as estatísticas de mortes, brigas e até mesmo furtos beiram o ridículo) que só é superada pelo próprio Rio de Janeiro no revéillon.

Cada povo deve ter um tipo de especialidade organizatória. Algo em que toda aquela população consegue se organizar de forma quase mágica, no melhor estilo “vassouras dançantes do Mickey” para produzir um efeito único. Passando um olho rápido nas civilizações modernas dá pra enxergar essas especialidades: no Japão parecem ser muito bons em reconstruir de tempos em tempos o país inteiro, nos EUA conseguem transformar qualquer esporte enfadonho (incluindo Baseball, Football, corridas de carro em circuitos ovais e campanhas eleitorais) em um espetáculo milionário. Em Cuba ainda não decidi se a especialidade é a gambiarra mecânica ou a construção de balsas. Na Alemanha com certeza é o genocídio hiperorganizado.

Enfim, no Brasil, parece ser a festa.

Bom Carnaval a todos!

 

De certa forma esse post vai soar um pouco fora de época. É porque hoje em dia os assuntos aparecem e somem tão rapidamente* que é um pouco difícil que o estranho alinhamento de “assunto palpitante, idéia aceitável e vontade de escrever”, necessário para que surja um post, simplesmente não funciona.

Bom, vamos ao tema: Luiza voltou do Canadá e o mundo se dividiu entre “pessoas que acharam graça disso e riram um bocado em seus momentos de lazer” e “pessoas que acham que todo mundo deveria se preocupar mais com assuntos relevantes e não ligar para essas besteiras”. Tremenda miopia universal.

Uma coisa absolutamente não elimina a outra. Tem que ser muito chato ou querer muito parecer inteligente no Facebook para ficar repetindo pérolas como as do Carlos Nascimento.

“Já fomos mais inteligentes.” Sei. Deve ter sido na época em que  as moças usavam roupas com ombreiras e achavam bonito, ou na época em que deixar o suvaco cabeludo e ingerir alucinógenos era o máximo. Talvez fossemos inteligentes mesmo quando acreditávamos que mulheres que escreviam com a mão esquerda deveriam ser queimadas em fogueiras… eu hein.

Humor e senso crítico convivem sim. Diria até que o primeiro precisa necessariamente do segundo.

Já fomos menos ranzinzas.

* A frase mais lugar comum na história do Peremptório, né?

 

Há nove dias a PM da Bahia está de greve.

Não vou questionar o direito deles se rebelarem, nem mesmo o fato das greves serem sempre próximas a grandes eventos como o carnaval, são joão (a copa do mundo vem aí…), etc.

Nos primeiros dias o comércio fechou com ameaças de arrastões, houve vandalismo por parte dos próprios policiais nas ruas da cidade, atravessando ônibus nas avenidas, apoderando-se de viaturas, além do aumento percentual dos homicídios.  A marginalidade latente veio à tona e aproveitou para tentar retomar territórios, apagar desafetos e ainda fazer um caixa – saqueando lojas e roubando os cidadãos.

Os tradicionais ensaios de verão estão em sua maioria cancelados, o comércio registra grande queda no movimento, e as pessoas ainda evitam as ruas à noite.  Há boatos na internet de que o carnaval não acontecerá, ou será adiado, e a orientação dos consulados  estrangeiros é de que evitem a cidade. Sem falar nas piadinhas mil no Facebook.

Uns poucos dias sem repressão e a violência vem à tona, o caos toma conta.

A sensação é que precisamos realmente de uma grande inundação, como diz a profecia Maia.

E eu nem sei se quero uma vaga na Arca de Noé.

 

Quando somos crianças  (ou a versão do mundo bizarro: adolescentes) não temos a menor idéia da utilidade daquele monte de matérias esquisitas que aprendemos na escola.

O pior é que virei adulto e ainda não faço idéia*!

Tudo bem, eu sou publicitário, então obviamente nunca precisei combinar um ácido como uma base para saber no que ia dar, nem saber a porcaria do valor do Seno do ângulo de 30° (aliás, se bateu uma curiosidade, digite “seno de 30″ no Google).

Mas veja bem, eu lido diariamente com textos. Faz parte do meu trabalho ter boa desenvoltura com a língua pátria, mas ainda assim, eu afirmo: Nunca, nunca mesmo, em toda minha vida profissional, precisei fazer a análise sintática de uma oração!!!!!! Então para que diabos tive que aturar isso durante todo o Ginásio e Segundo Grau (eu não sei mais qual é o nome desses períodos hoje em dia)?!?!

Agora, sinto muita falta de não ter aprendido nada sobre matemática financeira, alguma coisa sobre organização de tempo, coisas muito simples, que podem ser ensinadas até para crianças.

O currículo atual do MEC é uma monstruosidade. As crianças são obrigadas a aprender um monte de besteiras que não servem para nada e que, pelo volume, são dadas sem cuidado, na base de atropelos.

Conseguiram destruir a educação pública no Brasil em poucas décadas. Estão terminando o serviço agora nas escolas particulares também.

*Sei que não tem mais acento, mas acho feio… o acento é a fagulha que acende a palavra “idéia”.

 

Eu gosto muito de História. Em grande parte isso é mérito dos excelentes professores de História que tive ao longo da minha vida escolar e acadêmica.

Porém, assim como todo mundo que estudou ao longo da década de 80, minha formação em História é de linha marxista. Tanto que em determinado ponto, quando descobri que para entender qualquer grande transformação na sociedade ocidental (só esse conceito de processo de transformação já é bem marxista) bastava sacar quem eram os oprimidos, quem eram os opressores e como os primeiros acabavam por triunfar apenas para iniciar um novo ciclo e pronto! Anos e anos de boas notas sem grandes preocupações.

Pois bem, parte dessa minha doutrinação (que continua até hoje nas escolas, mas é papo para outro post), me fez acreditar que “as elite” tinham o interesse em manter a população emburrecida, sem educação, para os impedir de, a partir da compreensão de seus problemas (a revelação!), escolher novos e melhores governantes.

Daí concluo que o voto consciente é um excelente medidor do nível educacional de um povo, certo?

Pois bem, já faz tempos que somos governados por gente com os mesmos ideais dos meus professores de História. Tempo suficiente para formar uma geração inteira devidamente educada e iluminada, capaz de escolher efetivamente seus governantes.

Bom, olhando a qualidade do que está por aí… só consigo pensar em duas explicações: ou a relação entre educação e voto consciente estava equivocada ou aprenderam direitinho com “as elite”…

 

Vou logo pedindo desculpas a quem se sentir diretam… ah. vou nada. Isso aqui é o Peremptório e não tem meias palavras.

O Facebook desperta os mais bizarros comportamentos nas pessoas: tem os informes diários de cardápios, as fotos que de uma hora para outra parecem ser todas feitas com uma câmera ruim (pobres dos caras da Sony, Nikon, Leica… tanto trabalho pra nada), as citações sem sentido de textos que ninguém leu, e por aí vai.

(Um bom texto sobre o assunto aqui.)

Mas tenho notado uma tendência ainda mais bizarra! E como tenho, propositalmente, poucos “amigos” no Facebook, pode ser que esteja detectando isso tarde demais…

Informações sobre as condições climáticas em “tempo real”! E põe aspas aí nesse tempo real! Pouco me importa se no momento está chovendo em Madureira ou se está calor em Botafogo! E me importa menos ainda se está caindo um pé d’água {a 7 horas atrás} na Tijuca…

Mas não… as pessoas PRECISAM soltar a “moça do tempo” (ou moço, tanto faz) que existe dentro de cada um.

Será que todo mundo está lentamente virando aquela tia que te liga só para saber se está todo mundo bem?

 

Pergunte pra eles se faz diferença.Como de costume, vale a pena uma reflexão crítica antes de embarcar no oba-oba de “Sexta economia do mundo”.

“Viva! Passamos a Inglaterra!” Sério? Pra início de conversa, o IDH (índice de Desenvolvimento Humano, publicado pela ONU) da Inglaterra é o 28º do mundo, o nosso é o 84º. A renda per capita é simplesmente três vezes maior que a nossa, e nem preciso dizer que é melhor distribuída lá do que aqui.

O oba-oba é perigoso porque porque  mascara a triste realidade de que, apesar de termos uma riqueza do tamanho da nossa, falhamos no básico: no respeito pelo próximo. É esse basicão que, com o tempo, vira seriedade e vergonha na cara na política.

Ser a tal “sexta economia” só aumenta o tamanho do nosso fracasso enquanto sociedade. Faz a gente pensar no que poderíamos ser e comparar com o que acabamos virando.

Nunca antes na história desse blog um post velho foi tão atual: relembre aqui